• Tayná Tomaz de Souza

Qual a conexão entre campanhas publicitárias e a fomentação da cultura de proteção de dados?


Embora o tema da proteção de dados seja excessivamente debatido no meio jurídico, ainda não é possível afirmar que a sociedade possui plena consciência acerca do assunto.


Segundo pesquisa realizada pela Boa Vista, tendo como base as respostas de mais de 500 consumidores colhidas entre agosto e setembro de 2020, 70% das pessoas desconhecem a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).


Os recentes vazamentos de dados podem colocar o tema em evidência, mas, sob a minha perspectiva, não são suficientes para conscientizar o cidadão sobre a importância de proteger seus dados pessoais.


E o que funcionaria nesse caso?


Para além da resposta clássica, isto é, a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) na promoção do conhecimento, é possível visualizar outros meios, que, somados ao primeiro, formarão um potente catalisador para o processo de construção de cultura de proteção de dados.


O Banco Itaú, de um jeito leve, chamativo e compreensível, trouxe à tona a importância da proteção de dados por meio da exposição da vulnerabilidade de um cidadão qualquer e, de quebra, valorizou a sua marca ao afirmar que está atento à privacidade do seu cliente (se você ainda não assistiu, clique aqui).


Essa abordagem não é novidade, a Apple, em 2020, lançou uma campanha nesse mesmo sentido, ou seja, ressaltou que o cidadão precisa estar atento à preservação dos seus dados e que o seu produto garante essa privacidade ao usuário (para assistir, clique aqui).


Esses dois exemplos demonstram a possibilidade, a um só tempo, das empresas que estão em conformidade com a norma e veiculam o tema de forma acessível:


1. atribuírem um “selo de confiança” à marca;

2. chamarem a atenção do cidadão para a proteção dos seus dados pessoais, fazendo com que a pessoa realmente compreenda o que está sendo tratado ou, ao menos, comece a despertar para a relevância de cuidar (e exigir que cuidem) dos seus dados.


Em outras palavras, a empresa, atenta ao cenário e que analisa a obrigação legal sob outra perspectiva, é capaz de transformar um ônus em um bônus que agrega valor a sua marca (diferencial competitivo) e ainda, contribui para o processo de conscientização da sociedade, ou seja, todos ganham.



Créditos: Pixabay



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